quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Newsletter IGF - 09/10/2007

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Boletim IGF - 09/10/2007

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Comentários da semana

Ata do FOMC de setembro poderá sinalizar quais serão os próximos passos do Federal Reserve.

No mercado doméstico, as atenções estarão voltadas para a divulgação do IPCA na quarta-feira.


A semana passada voltou a ser positiva para o mercado secundário de ações, em que pese a enorme volatilidade apresentada intra e entre pregões. Aliás, a alternância entre o campo positivo e negativo foi uma constante, comandada por Petrobras e Vale do Rio Doce. A forte valorização no curto prazo das ações da Vale chamou vendedores realizando lucros recentes, ao mesmo tempo em que o fluxo de entrada de recursos tentava adquirir ações para prazos mais longos.

A agenda razoavelmente fraca da semana se encarregou de deixar o mercado meio sem rumo, o que acabou facilitando a volatilidade, ainda pressionada pela aproximação dos vencimentos em mercados derivativos, previstos para 15/10 e 17/10, respectivamente opções e índice futuro.

Maior definição somente quando o payroll de setembro foi divulgado nos EUA, com a criação de vagas na economia maior que o esperado. A partir daí, a constatação de que a economia americana está melhor que o suposto, determinou a recuperação dos mercados, fazendo com que o Dow Jones, S&P e Ibovespa atingissem novos recordes intraday ou no fechamento. Nesse contexto, o Ibovespa cravou alta na semana de 3,06%, enquanto o Dow Jones evoluía 1,22%.


Perspectiva

A próxima semana é razoavelmente vazia de indicadores importantes, o que pressupõe as atenções voltadas integralmente para os problemas de crédito, para a atuação dos bancos centrais espalhados pelo mundo e para a perspectiva do FED reduzir a taxa básica do patamar de 5,25%. Nesse aspecto, as negociações dos Fed Funds embutem essas perspectivas com 100% de certeza até o final de dezembro de 2007, o que poderia reduzir pressões e melhorar a inadimplência no crédito.

A volatilidade dos mercados será determinada pela atitude dos BCs na resolução dos problemas, ao mesmo tempo em que os agentes tentarão determinar o volume de perdas e as instituições afetadas, além da capacidade de absorção de prejuízos.

Somos de opinião que os mercados podem recuperar parte das perdas incorridas recentemente, porém de forma lenta e seletiva, em função dos riscos que envolvem os mercados. Por aqui, a ultrapassagem dos vencimentos futuros pode reduzir pressões, deixando os mercados mais normais no curto prazo, muito embora com grande volatilidade e mudanças de curso ao sabor do noticiário.

A próxima semana incorpora as expectativas de atuação dos bancos centrais na tentativa de domar os problemas com o crédito, além da antecipação do que será a decisão do FED em 18/09 sobre política de juros. Nesse aspecto, cabe destacar que os dados divulgados sobre criação de vagas em agosto vieram péssimos (menos de 4 mil, quando as estimativas eram de alta de 100 mil) e isso pode motivar redução dos juros maior do que os esperados 25 pontos base, levando a taxa para abaixo de 5%.

Mais para o final da semana (portanto antes dessa reunião do FED) sairão dados importantes na economia americana, referentes a agosto, de vendas no varejo e produção industrial, além do indicador de confiança do consumidor da prévia de setembro, esse bem atual e já capturando efeitos do problema com o crédito.

Por aqui a situação segue razoavelmente tranqüila, mas certamente acompanharemos a tendência internacional.
Bolsa Brasil
Após forte oscilação ao longo da semana, a performance positiva da Bovespa nos últimos dias esteve associada aos eventos internacionais, com destaque para a notícia do dado de emprego nos Estados Unidos na sexta-feira e para o forte volume de negócios centralizados nas ações de Vale do Rio Doce e Bradespar, que detêm boa participação no índice paulista. Para os próximos dias, a exemplo das bolsas nos Estados Unidos, a agenda intensa de indicadores lá fora deverá ocasionar mais volatilidade nos ativos de renda variável locais.

Juros Brasil
Diante das últimas sinalizações do Banco Central em seus comunicados a respeito da interrupção do ciclo de cortes na taxa de juros e da elevação nas projeções de inflação para 2008, o comportamento da curva de juros local deverá ser de estabilidade para os próximos dias. No entanto, é preciso ficar atento aos eventos do exterior, já que qualquer notícia mais adversa ou a alteração no humor dos mercados poderão acarretar mais volatilidade no mercado de renda fixa local, sobretudo para os contratos de vencimento mais longos, comumente receptores de recursos externos.

Câmbio Brasil
Depois de uma semana de forte valorização do real perante o dólar, com a divisa brasileira evidenciando recordes de cotação, a tendência para este mercado de câmbio deverá se manter favorável à moeda local, o que é justificado pelas perspectivas de continuidade de fluxos financeiro e comercial para o país. Entretanto, é possível que valorizações expressivas ante o dólar sejam mais difíceis de observar, uma vez que já existem argumentos capazes de promover certa resistência à moeda norte-americana. Podem contar a favor dessa divisa a leve redução do saldo da balança comercial brasileira em função do crescimento mais acelerado das importações diante das exportações, o menor interesse de investidores estrangeiros por ofertas públicas com preferência por ações líquidas que negociam ADRs e a queda nas probabilidades de cortes na taxa básica de juros nos Estados Unidos em virtude da constatação de um mercado de trabalho ainda conservado.

US Equities
Muito embora o dado de emprego nos Estados Unidos tenha fornecido mais argumentos para um quadro ainda salutar da economia norte-americana - e com isso contribuído para a boa performance das bolsas na semana passada -, a agenda de eventos para os próximos dias, aliada ao feriado na segunda-feira, poderá fornecer condições para mais volatilidade nos ativos de risco, sobretudo os de renda variável. Os investidores, conscientes da existência de riscos a serem monitorados, aguardam nesta semana a ata do comitê de política monetária dos Estados Unidos, bem como dados sobre o mercado de hipotecas e de trabalho, o índice de inflação ao produtor de setembro e o discurso de Ben Bernanke.

Juros US
A divulgação do dado de criação de novas vagas nos Estados Unidos em linha com o esperado trouxe alívio aos investidores, na medida em que as expectativas de uma desaceleração mais gradual da economia norte-americana se tornam mais concretas. Por outro lado, em virtude do maior vigor evidenciado pelo mercado de trabalho naquele país, é muito provável que os contratos futuros de Federal Funds passem a embutir menor probabilidade de cortes na taxa básica de juros por parte do Banco Central. Assim, a curva de juros dos Estados Unidos poderá apresentar elevação em seus rendimentos, em especial para os prazos mais curtos, segmento que é utilizado como referência de segurança diante da crise de liquidez ocasionada no mês de agosto e no início de setembro.

Dólar X Euro
O anúncio de um dado de emprego ainda robusto nos Estados Unidos chegou a favorecer a cotação do dólar ante as principais moedas do globo, em particular o iene. No entanto, a divisa norte-americana não conseguiu sustentação em relação ao Euro, que, em oposição à lógica dos mercados, permaneceu fortalecida até o final da semana passada. Apesar da decisão do Banco Central Europeu de manter inalterada sua taxa de juros, bem como de reduzir a probabilidade de cortes na taxa de juros nos Estados Unidos - o que poderia promover alguma força para o dólar -, a tendência que apresentam alguns bancos centrais de diversificação de suas reservas em moedas alternativas ao dólar tem se constituído em mais um vetor capaz de favorecer a cotação do euro no médio prazo.


Dólar X Libra
A perspectivas para a libra, para os próximos dias, é de estabilidade. A despeito da correlação positiva observada entre a moeda britânica e o euro nos últimos meses, é provável que a primeira divisa apresente relativa estabilidade diante do dólar daqui para a frente. As projeções de alguns analistas de que o Banco Central da Inglaterra irá promover cortes na taxa básica de juros a partir do ano que vem podem retirar a força dessa moeda no curto prazo.

Mercado Doméstico - Renda Fixa

Com a afirmação, no último relatório de inflação, de que, "em momentos como o atual, a prudência na condução da política monetária passa a ter papel ainda mais importante", acreditamos que o Banco Central pode ter sinalizado que o ciclo de cortes chegou ao fim. Além disso, embora modesta (+0,1 p.p.), a elevação da projeção de inflação acumulada em 2008 para 4,2% no cenário de referência é um sinal de que a margem de segurança da política monetária está um pouco menor.

O lado bom da moeda tem sido a apreciação do BRL/USD, que, se não serviu para reduzir os índices de inflação recentes, pelo menos contribui para evitar uma elevação maior. A publicação do IPCA na quarta-feira (10/10) será o último indicador doméstico importante antes da reunião do Copom, a se realizar no dia 17.
Mercado Doméstico - Renda Variável

O mercado na semana que vem

A próxima semana será bastante curta, pois segunda-feira será feriado nos Estados Unidos e sexta, no Brasil. Isso em uma semana que reserva a ata do FOMC, dados sobre o mercado de hipotecas e de trabalho, o discurso de Ben Bernanke, presidente do Fed, e o índice de inflação ao produtor (PPI) de setembro nos Estados Unidos. A mistura de poucos dias e eventos significativos gera condições para mais uma semana de forte volatilidade.

A semana passada foi marcada por uma volatilidade razoavelmente elevada da Bovespa. Os índices da bolsa seguiram em parte o movimento apresentado pelas ações da CVRD, que sofreram forte realização entre terça e quinta-feira. Já as praças internacionais operaram aguardando os dados sobre o mercado de trabalho, que vieram acima das expectativas, estimulando a alta de sexta-feira.

No campo doméstico, o mercado já vive as expectativas em relação à reunião do Copom e à definição sobre a nova taxa de juros no próximo dia 17 - nossa expectativa é deos juros sejam mantidos em 11,25%. Desta forma, a primeira prévia do IGP-M de outubro e o IPC-Fipe da primeira quadrissemana devem chamar a atenção dos investidores.

Top picks da semana

Incluímos Tractebel Energia entre nossos top picks pelos seguintes motivos: (i) acreditamos que a companhia tem condições de contratar energia das usinas de Estreito no próximo leilão de energia nova (A-5), em 16 de outubro, adicionando mais 3 MW médios ao seu parque gerador; (ii) a companhia deve se beneficiar de um cenário apertado de oferta e demanda no médio prazo, puxando para cima o preço da energia; (iii) em nossa opinião, a companhia conseguirá desenvolver seus projetos sem alterar a sua política de dividendos.

A Petrobras anunciou a aquisição da usina térmica de Juiz de Fora, antes pertencente à Energisa e possuidora de uma capacidade de 87 MW. Além disso, mais do que o ativo em si, a Petrobras adquiriu os direitos de fornecimento de energia (PPA) para a região Nordeste. O contrato vale até 2022, e a companhia irá pagar R$ 204 milhões de reais em quatro vezes. A aquisição está sujeita à aprovação da Aneel e de outros órgãos reguladores.

Top picks da semana

A Anfavea divulgou os dados de setembro sobre a venda de carros novos. Os números se mantêm fortes, apresentando crescimento de 28,4% na comparação com o mesmo mês de 2006. O resultado de Tegma é positivamente afetado por esse volume, pois 80% de sua receita está ligada ao setor automobilístico, o que se constitui na prévia de um ótimo resultado no 3T07.

A Vale do Rio Doce e a Baosteel anunciaram um novo projeto siderúrgico no país, de cerca de R$ 5,5 bilhões. O complexo envolve a construção de uma usina, um terminal portuário e uma ferrovia. Atualmente a Vale pretende deter 20% de participação no projeto e a Baosteel, 60%. O restante seria completado por um terceiro sócio, possivelmente o BNDES.

Mais dois estados revelaram a intenção de quebrar os contratos com bancos privados sobre as contas de seus funcionários. Tanto o Itaú como o Bradesco já se mostraram prontos para uma guerra judicial a fim de garantir os direitos obtidos quando adquiriram, respectivamente, os bancos dos estados de Minas Gerias e da Bahia. Há um novo risco institucional perigoso para bancos, o que irá elevar os preços desses serviços e retardar o desenvolvimento do sistema financeiro.

iNDICADORES
Ativo

Cotação

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-0.26

-1.55

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-0.08

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11.21

-0.19

-0.55

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14.83

34.33

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25.41

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6.81

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135.05

5.73

2.00

Euro ***

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1.84

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0.42

3.75

Yen ***

117.41

-3.14

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